Resenha: Afinidade - Sarah Waters | Padronizado


Resenha: Afinidade - Sarah Waters

Resenha: Afinidade - Sarah Waters

           Olá! Hoje vim falar sobre Afinidade (skoob), de Sarah Waters, publicado no Brasil pela Grupo Editorial Record. Amo esses livros! Já li quase todos os livros dela, exceto por Ronda Noturna, que já está na estante só esperando para ser lido!
           Sarah Waters é uma grande escritora, muitas vezes comparada a Dickens. Seus livros se passam em uma Inglaterra vitoriana, com damas, criadas e tudo mais. O que mais me encanta em seus livros é o feminismo de Waters. Ela não tem medo de expôr nenhuma opinião e na maioria dos seus livros há romance entre mulheres.
           O melhor de tudo é que é tudo muito real e bem contado. Não parece forçado e contém todo o mistério da época, pois até então o homossexualismo não era muito bem aceito (hoje ainda não é, porém, era menos ainda).
           Bom, estou fugindo do assunto, então vamos lá: Afinidade não é com certeza seu melhor livro, porém não deixa a desejar. O ponto menos interessante do livro, com certeza, é uma das protagonistas.
           Margaret Prior é uma dama rica, que perdeu o pai, a pessoa que mais amava no mundo. Depois disso, sua vida tem sido ainda mais monótona e sem graça. Fora que agora, em seu estado de luto, Margaret vive à base de remédios e às sombras de uma grande depressão. Já tentou suicídio.
           Porém, ela é uma personagem um tanto quanto entediante. É fraca e extremamente sem graça, tudo a atinge demais, tudo a deixa tonta e coisas do tipo, como toda dama que se preze. Não é um tipo muito legal de narradora.
           A outra protagonista é Selina Dawes, uma médium que costumava ter grande sucesso, até que uma sessão espírita sua vai pelos ares. Isso acontece quando seu espírito guia "assusta" uma dama até a morte. Depois desse episódio, Dawes vai presa em Millbank, uma grande e imponente prisão que parece ter vida própria.
           O livro é narrado através dos diários de cada uma dessas mulheres, sendo o de Margaret no presente e o de Selina no passado.
          Depois de tentar suicídio, Margaret resolve voltar a se ocupar com a filantropia, e por meio de um amigo da família, Sr. Shillitoe, ela começa a fazer visitas em Millbank, para confortar as presas, mostrá-las como deverão agir ao saírem da prisão e para se "distrair" da morte de seu pai.
           É durante suas visitas em Millbank que Margaret conhece Selina, a presa mais bem comportada e mais estranha da prisão. Quando Margaret a vê pela primeira vez, logo nota que há algo diferente em Dawes, pois ela tem um ar angelical e uma flor em suas mãos. O mais curioso é que, em Millbank, não existem flores.
           O tempo passa e durante suas visitas à prisão, Margaret nunca consegue resistir a visitar Dawes, toda vez. A cada visita, elas se aproximam mais. Dawes traz mensagens do pai de Margaret e coisas estranhas e inexplicáveis começam a acontecer na sua vida, como um dia em que flores apareceram, sem ter explicação, em seu quarto.
           E assim o livro se desenrola, meio lento, porém surpreendente - nunca imaginaria um final como este! Chegou a ser frustrante o modo como simplesmente não percebi, como não houve nenhuma dica sobre o que ia acontecer.
           Enfim, é uma leitura fascinante, que te faz viajar por tempos antigos e imaginar como seria viver naquela época, e como todos os livros de Waters, não me decepcionou e vale muito a pena. Recomendo muito!



Postado por: Gabriela Duarte.

 

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